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Quando vinha a noite e as luzes se apagavam, tudo mergulhava no sono: pessoas, paredes, espaços. Menos o relógio… De dia, ele estava lá também. Só que era diferente. Manso, tocando o carrilhão a cada quarto de hora, ignorado pelas pessoas, absorvidas por suas rotinas. Acho que era porque durante o dia ele dormia. Seu pêndulo regular era seu coração que batia, seu ressonar, e suas músicas eram seus sonhos, iguais aos de todos os outros relógios. De noite, ao contrário, quando todos dormiam, ele acordava, e começava a contar estórias. Só muito mais tarde vim a entender o que ele dizia: “Tempus fugit“. E eu ficava na cama, incapaz de dormir, ouvindo sua marcação sem pressa, esperando a música do próximo quarto de hora. Eu tinha medo. Hoje, acho que sei por quê: ele batia a Morte. Todas aquelas horas vividas e morridas estavam guardadas. De noite, quando todos dormiam, elas saíam. O passado só sai quando o silêncio é grande. Pelas noites adentro ele continuou a fazer a mesma coisa. E uma vizinha que não suportou a melodia do “Tempus fugit“ pediu que ele fosse reduzido ao silêncio. E a alma do relógio teve de ser desligada.
Tenho saudades dele. Por sua tranquila honestidade, repetindo sempre, incansável, “Tempus fugit“. Ainda comprarei um outro que diga a mesma coisa. Relógio que não se pareça com este meu, no meu pulso, que marca a hora sem dizer nada, que não tem estórias para contar. Meu relógio só me diz uma coisa: o quanto eu devo correr, para não me atrasar. Com ele, sinto-me tolo como o Coelho da estória da Alice, que olhava para seu relógio, corria esbaforido, e dizia: “Estou atrasado, estou atrasado…“
Não é curioso que o grande evento que marca a passagem do ano seja uma corrida, corrida de São Silvestre? Correr para chegar, aonde? Passagem de ano é o velho relógio que toca o seu carrilhão.
O sol e as estrelas entoam a melodia eterna: “Tempus fugit“. E porque temos medo da verdade que só aparece no silêncio solitário da noite, reunimo-nos para espantar o tenor, e abafamos o ruído tranquilo do pêndulo com enormes gritarias. Contra a música suave da nossa verdade, o barulho dos rojões…
Pela manhã, seremos, de novo, o tolo Coelho da Alice: “Estou atrasado, estou atrasado…“ Mas o relógio não desiste. Continuará a nos chamar à sabedoria: Quem sabe que o tempo está fugindo descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será…O relógio - Rubem Alves (via metaforizou)(via regresar)
Posted on May 30, 2012 via Que tudo seja leve with 85 notes
Source: que-seja-leve
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O mundo precisa de atitudes, não de opiniões. Opinião nenhuma mata fome ou cura doença.
Angelina Jolie (via re-novada)(via beatrizcid)
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(via shyandcorageous)
Posted on May 30, 2012 via Effy Stonem with 305 notes
Source: effys
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Tem gente que se perde na rua. Tem gente que se perde na praia. Há quem se perca dentro de si e há quem se perca na mata. Tem gente que se perde na vida, tem gente que se perde na escrita. Tem gente que se perde na música e gente que se perde nas festas. Tem gente que se perde nos traços dos labirintos e tem eu, que me perco nos seus.
rio-doce. (via meujardimdeamor)(via faz-sonhar)
Posted on May 30, 2012 via Nas margens de mim with 509 notes
Source: rio-doce
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Separei-me de minha esposa porque ela era terrívelmente infantil. Uma vez, eu estava a tomar banho na banheira, e ela afundou todos os meus barquinhos sem nenhum motivo aparente.
Woody Allen (via compreender)(via faz-sonhar)
Posted on May 21, 2012 via Alô, liberdade? with 583 notes
Source: c-a-n-a-r-i-o
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(via theresaparadisebeneathme)
Posted on May 21, 2012 via ah, flashback humor with 33,134 notes
Source: hall0w3d
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Josef Kunstmann , “The Embrace”.Published in “The Circle” No. 3, 1949.
(via shyandcorageous)
Posted on May 15, 2012 via 2headedsnake with 1,487 notes
Source: schwulengeschichte.ch
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(via shyandcorageous)
Posted on May 15, 2012 via pédalage with 2 notes
Source: pr0fundo
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(via l-0-s-t-a-t-s-e-a)
Posted on May 13, 2012 via We're very sorry with 8,488 notes
Source: batracotoxina
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(via l-0-s-t-a-t-s-e-a)
Posted on May 13, 2012 via Heart and Soul with 45,520 notes
Source: hediondo




